| André que agora está por cima do bem e do mal, do belo e do feio, do certo e do errado, da esquerda e da direita e do crédito e do débito, não encontrou na prisão obstáculos para o seu desenvolvimento espiritual (apesar dos abusos afetivos dos presos em desespero). No começo, houve um murmúrio que ao ser colocado na solitária tinha virado luz por alguns minutos e que voltou ao seu estado normal após ver que, enquanto onda eletromagnética, a vida só tem sentido na transversal e longitudinal. De fato, ele tomou repulsa por seres etérios, como a luz. E se aprofundou na sua identificação com as coisas materiais, que segundo sua visão, revela que o universo tem sua essência na forma sensível. E que a vida não tem sentido,- como a luz infelizmente tem, - se não nos sentirmos como parte das cadeiras que estamos sentados, por exemplo. Até que André desapareceu da prisão; e quando todos estavam pensando que ele tinha virado luz novamente, ele surge em forma de pedra. (vide a foto, André é este que está segurando duas placas). A redação do testículo passou no presídio para saber melhor sobre este episódio, e soubemos que realmente este fato aconteceu, inclusive o diretor do presídio está punindo André severamente, por tentar fugir da sua condição de animal para mineral. Infração prevista no artigo XVIII do código processual, que prevê como agravante ao delito o fato de utilizar de artifícios de desenvolvimento de transcendência da mente e espírito numa entrega total ao tao, de forma a se confundir com todo o universo. André tem ao seu favor o fato de, ao ver o Uno cara a cara, não utilizou de sua influência divina para sua soltura. Diz André que seu desapego era tamanho, que não sentiu nenhuma necessidade de dar atenção a Deus, apesar de deste tentar com raios e trovões falar com ele. Mas a situação de André continua difícil pois, nesta mesma prisão, nos últimos cinco acontecimentos desta natureza ninguém foi inocentado. |